Gramática
Ditongo, tritongos, hiatos e dígrafos
Muitas pessoas se perguntam
a respeito de como seria a maneira mais adequada de separar as palavras da
língua Portuguesa em unidades menores para um estudo mais detalhado, mas a
pergunta que tem sido feita é: Por onde começar?
Na nossa língua, existem
ditongos, tritongos e hiatos. Quais seriam os parâmetros utilizados hoje em
dia, e mais importante, quais seriam as novas regras a serem utilizadas, que
entraram em vigor há pouco tempo? Vamos explorar estas questões e outras nos próximos
capítulos, onde também fornecerei alguns exemplos para ilustrar os pontos mais
obscurecidos. Vamos?
Conceitos...
A grande maioria dos alunos
tem uma grande dificuldade em compreender os conceitos mais básicos dos estudos
sobre a língua portuguesa, então comecemos aqui com um nome básico:
Fonema
Muitas pessoas agora
poderiam se perguntar: O que exatamente é um fonema? A resposta para essa
pergunta é simples. Como é óbvio, nossa língua possui uma cultura falada, mas
hoje em dia é muito importante que as pessoas também possuam o domínio da
língua escrita, logo, nos valemos de alguns símbolos para representar os sons
de nossa fala (“fono” significa “som”).
Fonema se trata de uma
realidade acústica, diferente da letra que é uma representação escrita dos sons
produzidos em nossa fala. O conjunto destes sons gera as palavras como as
conhecemos hoje. Observemos alguns exemplos:
ESPERANÇA
A palavra esperança é bem
conhecida dos leitores brasileiros, assim como os da língua portuguesa. Possui
fonemas, obviamente. E também é composta por nove letras.
O nosso alfabeto de hoje é
composto pelo total de 26 letras, ao contrário de antigamente, quando era
composto por 23 letras:
A B C D E F G H I J K L M N
O P Q R S T U V W X Y Z
É importante ressaltar que
as letras K, W e Y são utilizadas para nomes estrangeiros e para derivados de
nomes estrangeiros, como podemos observar nos exemplos abaixo:
George
Gordon Byron – É o nome de um proeminente escritor britânico. Seu sobrenome
é o mais conhecido mundialmente. Quando escrevemos seu nome em nossos textos,
conservamos a letra Y, assim como quando queremos nos referir ao estilo do
autor, então escreveríamos algo como: Byroniano.
Nomes como Walter, Kenny,
entre outros, permanecerão escritos como em seu país de origem.
Outro ponto importante que
não poderia deixar de ser mencionado, é que algumas medidas e termos que
surgiram fora da língua portuguesa também manterão as letras originais, como é
o caso de Kg, para os brasileiros é a medida de peso. Km, para quilômetros e
assim por diante.
Sobre o funcionamento das
letras:
No português, as palavras
podem ser divididas em sons vocálicos ou consonantais. Uma vogal é
caracterizada pela livre saída dos sons, sem que haja nenhuma interferência de
algum órgão de nosso sistema fonador. Observem o exemplo abaixo:
A
– E – I – O – U
Estas letras são as vogais
na língua portuguesa. Não encontram nenhum tipo de interferência da língua ou
dos lábios. Como um exercício, tentem pronunciá-las para perceber a diferença.
Em contrapartida, temos os
sons (fonemas) consonantais na língua portuguesa, tais como:
B
– C – D – F – G – H – I – J – K – L – M – N – P – Q – R – S – T – V – X – Z
...Encontram obstruções da
língua, dos lábios e dos dentes. Outra característica dos sons consonantais é
que eles precisam de uma vogal para que sejam pronunciados. Seria muito improvável
pronunciar a letra “B” por exemplo, sem valer-se de outro som de alguma vogal.
Ba, Be... etc.
Além dos sons consonantais e
vocálicos, temos o som das semivogais: W e Y. Em palavras como “DIREI” o som da
letra “I” é o equivalente ao “Y”, “DIREY”, ou como pode vir a acontecer em
palavras como “SARAU”, nas quais o som parece decrescer: “SARAW”.
Em um primeiro momento,
podemos observar que temos então três tipos básicos de fonemas na língua
portuguesa: Vogais, consoantes e semivogais.
Combinações...
Quando combinamos as letras
do alfabeto para que seja realizado um fonema, temos várias combinações
possíveis. Observemos alguns exemplos logo abaixo:
Chave / Passar / Ferro / Calha...
Chamamos Dígrafo quando há
duas consoantes em conjunto, mas que dão origem a um único som. Observem a
palavra Chave, por exemplo. Não seria o mesmo se pronunciássemos algo como
“chave”? Temos aí o que chamamos de dígrafo. A língua Portuguesa possui vários
dígrafos. Passe a observá-los em suas próximas leituras como um exercício
preliminar.
Obs: Na
língua portuguesa, há sete dígrafos: CH, LH, NH, RR, SS, QU e GU. E não devemos
confundir os dígrafos com encontros consonantais como é o caso de Cravo,
livro e em outras palavras onde as letras têm sons distintos.
Outras combinações possíveis
(encontros vocálicos) na língua portuguesa são os ditongos, tritongos e os
hiatos. Observemos cada um com suas peculiaridades.
Ditongo – é o encontro de
duas vogais em uma sílaba, de forma que pode ser dividido em oral, nasal,
crescente ou decrescente.
ÃE – Pães, cães EU – Seu,
meu
AI – Pai, Vai IU – Sorriu, partiu
ÃO – Alcorão, Sudão ÕE – Põe
AU – Sarau, Berimbau ÓI – Caracóis, herói
ÉI – Anéis, papéis OI – Foi, boi;
EI – Eixo, queixo OU – Outro, outono
ÉU – Céu, véu UI (Nasal) – Muito
ÃI - Câimbra
Como podemos observar, há
dezesseis ditongos aqui. São o que chamamos de decrescentes por causa da
semivogal depois de uma vogal plena. Além destes ditongos, também temos os
ditongos crescentes, quando uma semivogal vem antes e a vogal plena depois:
EO – Vídeo, plúmbeo UA - Quadrado
EA – Rosácea UÃ – Quanto
IA – Fria UE -
Tênue
IO – Fio UÉ -
Eloquente
IE – Espécie, UI -
Liquidificador
OA – Proa UO –
Aquoso
Algumas observações são
necessárias antes que sigamos adiante com as explicações:
a) O
trema não mais existe, então as palavras diferenciar-se-ão com base no uso
diário.
b) O
som como na palavra “Quanto” é nasalizado por causa da letra “N” logo após a
vogal “A”.
Finalmente,
mas não menos importante, temos o tritongo, que como sugere o próprio nome, se
trata da união de três sons vocálicos inseparáveis:
Enxaguei
– Tritongo decrescente e oral...
Saguão
– ditongo nasal crescente...
Seguem
as mesmas regras descritas até aqui.
Hiatos...
Os hiatos são encontros de vogais de sílabas diferentes:
Saúde = Sa-ú-de
Alaúde = A-la-ú-de...
Por fim, tomemos especial
cuidado com algumas palavras no Português, que possuem esta dupla articulação,
ou seja, podem ser consideradas tanto hiatos como ditongos crescentes:
Estória = Es-tó-ria ou Es-tó-ri-a
Isto ocorre por que os encontros
EA, IE, EO, AO, UA, EU, UO; em algumas vezes são átonos e finais, sendo
seguidos ou não de “S” passarão por este mesmo processo. Fiquem atentos a estas
mudanças!
Espero que tenham gostado
das explicações básicas a respeito dos encontros consonantais e vocálicos desta
página, caso queriam saber sobre a separação silábica, há uma página específica
para o assunto onde vocês encontraram esta. Busquem-na e façam uma boa leitura!
E antes que fechem esta
página, lembrem-se de conferir a nossa lista de livros eletrônicos para
vestibulares com ofertais imperdíveis.
Prof. Luigi C. Domani
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